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Informática ajuda alunos especiais

Tecnologia assistiva auxilia estudantes com paralisia cerebral

    Com o apoio da tecnologia, estudantes com paralisia cerebral da Escola Vivian Marçal, em Curitiba, conseguiram quebrar barreiras, como a dificuldade para se comunicar, e têm alcançado sucesso no aprendizado. Eles estão usando um programa de computador e um equipamento, desenvolvidos pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet-PR), que os ajudam a escrever e até a usar a internet.


    Embora tenham inteligência normal, as pessoas com paralisia cerebral têm problemas de coordenação motora. Por isso o teclado e o mouse não podem ser usados por eles. Há três anos, o analista de sistemas Alexandre Henzen, que na época fazia mestrado no Cefet, formulou um software mais fácil de ser usado. Por meio de um sensor, também desenvolvido por ele, os estudantes podem escolher letras e movimentos de mouse com um simples toque.


    "O sensor é muito simples e barato. O que leva mais tempo é adaptá-lo às possibilidades de cada um", diz Henzen. O software é cedido gratuitamento aos usuários. O sensor custa em torno de R$ 30. 


    De acordo com o engenheiro de eletrônica Aurélio Charão, que orientou o projeto de Henzen, existem outros sistemas como esse, mas na maior parte são importados e muito caros. O sistema foi levado para demonstrações fora do Paraná e já foi adotado pelo Instituto Helena Antipov, no Rio de Janeiro.


    Pessoas com paralisia cerebral muitas vezes não conseguem escrever nem falar. Em casos mais extremos, o computador se torna a única forma de comunicação. "Às vezes, nós não conseguíamos nem verificar se uma criança havia sido mesmo alfabetizada. Agora isso não ocorre mais", conta Suely Hieda Rocha, diretora da Escola Vivian Marçal.


    O estudante Valério Nowadowski, de 24 anos, está cursando o supletivo de 1.ª a 4.ª série e depende do computador para se comunicar. Para usar o software, ele aciona um sensor instalado na cadeira de rodas, atrás da cabeça. Num canto do monitor, as opções ficam à mostra, como letras e movimentos de mouse, que piscam em seqüência. Quando se destaca o que aluno deseja, ele aperta o sensor.


    Adriano Franciscon de Assis, 23 anos, diz que, antes do computador chegar à sala de aula, a professora fazia a lição em seu lugar. "Agora ela passa o exercício e eu consigo fazer", comemora.


    Alguns alunos, com a ajuda da tecnologia, foram reinseridos na rede regular de ensino, em cursos noturnos. "Um deles até está estudando numa faculdade", afirma Suely.


    No momento, a escola tem seis computadores, instalados em 4 das 12 salas de aula. Os equipamentos, um pouco obsoletos, foram doados por empresas e membros da comunidade. "O ideal seria pelo menos um por sala", calcula a diretora. Cerca de dez pessoas do Cefet estão envolvidas no projeto. Elas fazem manutenção, ajudam a adaptar as cadeiras de roda e a montar os sensores.

Guido Orgis